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27 de jun. de 2010
Filo Sarcomastigophora

Filo Sarcomastigophora

Estudamos nesse filo protozoários do Subfilo Sarcodina - as amebas - e do Subfilo Mastigophora - os flagelados Giardia e Trichomonas.


1) Amebas: são protozoários que emitem pseudópodes tanto para se locomover, quanto para obterem alimentos; são amplamente dispersas na natureza, sendo a maioria de vida libre, entretanto a Familia Entamoebidae (gêneros Entamoeba, Endolimax e Iodamoeba) vivem no trato digestório humano, podendo ser comensais (espécies não patogênicas, como Entamoeba dispar, Entamoeba coli, Iodamoeba butschilii e Endolimax nana, no intestino grosso e Entamoeba gingivalis no tártaro dentário e gengivas) e parasitas (espécie patogênica, que habita o intestino grosso - Entamoeba histolytica). As amebas de reproduzem por divisão binária, são monoxenos e eurixenos (podendo infectar, além do homem, macacos, cães e ratos) e seus estágios evolutivos são:
Trofozoítas (forma ativa, que colonizam a luz do intestino grosso, podendo invadir criptas e mucosas quando causam patogênicas); Cistos (formas de resistência multinucleadas que são eliminadas junto com as fezes); Pré-cistos (transição para o encistamento)

1.1) Trofozoíta de E. histolytica/E. dispar: estas espécies são morfologicamente indistinguíveis, a não ser pelo achado de hemácias fagocitadas no citoplasma da E. histolytica, que é patogênica. A trofozoíta apresenta uma forma indefinida (amebóide), com citoplasma granuloso, cinza (corado por hematoxilina férrica - HF) e 1 núcleo com grânulos pequenos de cromatina distribuídos na cariomembrana e em um cariossomo (ou endossomo), geralmente pequeno e central.





1.2) Cisto de E. histolytica/E. dispar: tem forma arredondada, com citoplasma granuloso, cinza (se corado por HF) ou castanho claro (corado pelo lugol, no qual os corpo cromatóides se tornam refringentes), podendo apresentar corpos cromatóides em bastão com extremidades rombas (em preto); possui de 1 a 4 núcleos com cariossomo nítido e mesma distribuição da cromatina descrita no trofozoíta.





1.3) Trofozoíta de Entamoeba coli: espécie comensal. O trofozoíta apresenta uma forma indefinida (amebóide) com citoplasma vacuolizado, corado em cinza (HF), contendo 1 núcleo com grânulos grosseiros de cromatina (em preto) distribuídos na cariomembrana e em um cariossomo, geralmente, grande e excêntrico.






1.4) Cisto de E. coli: forma arredondada com citoplasma em cinza (se corado por HF) ou castanho (se impregnado pelo lugol), podendo apresentar corpos cromatóides pretos (HF) ou refringentes (lugol) em forma de lascas, palitos ou feixes, com extremidades pontiagudas; além disso, os cisto de E. coli possuem de 1 a 8 núcleos com mesma distribuição de cromatina descrita no trofozoíta, com cariossomo excêntrico pouco nítido.



Coccídios Intestinais (Filo Apicomplexa)

Coccídios Intestinais (Filo Apicomplexa)

Os coccídios intestinais do homem são considerados protozoários emergentes, pois foram reconhecidos como patógenos para o homem recentemente (por volta dos anos 80), e oportunistas, porque causam infecções graves em indivíduos imunocomprometidos. Entretanto, em imunocompetentes as infecções causadas por esses protozoários são benignas e benignas e autolimitadas.



1) Cryptosporidium sp.: até recentemente, pensava-se que as infecções humanas eram causadas por C. parvum, porém, foram descobertas mais 4 espécies capazes de parasitar os homens: C. canis, C. felis, C. meleagridis e C. hominis (monoxenos e eurixenos). Causadores da criptosporidiose, estes coccídios vivem no interior de células do intestino delgado, em posição extracitoplasmática, podendo viver também no trato respiratório e vias biliares. Se reproduzem assexuadamente por esquizogonia (merogonia) e sexuadamente por gametogonia (esporogonia), produzindo oocistos que podem eclodir no próprio intestino delgado ou ser eliminados nas fezes maduros (contendo esporozoítas)

1.1) Oocisto de Cryptosporidium sp.: tem forma arredondada (4-5 micrômetros), e, por ser alcool-acido resistente, necessita de uma coloração específica, como Ziehl-Neelsen, em que as fezes são coradas em azul claro e os oocistos em vermelho.
O oocisto é eliminado nas fezes contendo 4 esporozoítas (sem esporocistos), que podem ser identificadas pela coloração irregular do oocisto em aspecto de “ferradura”, contendo espaços internos corados em vermelho mais claro, mas nem sempre é possível esta identificação.





______Fotos de lâminas da UFC.



2) Isospora belli: causador de isosporose, sua prevalência aumentou significativamente com o advento da AIDS e outras imunodeficiências, sendo também conhecido como um protozoário emergente e oportunista. Não há comprovação de sua patogenicidade em outros animais, sendo portanto monoxeno e estenoxeno. Habita células do intestino delgado e apresenta formas de reprodução semelhantes ao Cryptosporidium sp. Mas seus oocistos são eliminados nas fezes ainda imaturos contendo 1 ou 2 esporoblastos, que se tornarão esporocistos contendo 4 esporozoítas cada um, configurando-se entao, um oocisto infectante em cerca de 48h no meio ambiente.


2.1) Oocisto de Isospora belli: apesar de também ser alccol-acido resistente, nao necessita de coloração específica, pois pode ser reconhecido apenas pela sua morfologia típica - forma elíptica, podendo as vezes haver um estreitamento de suas extremidades; são incolores; tem membrana dupla, mas a MO parece única; e em seu interior, podem ser visualizados 1 ou 2 esporoblastos redondos e granulosos, sendo as vezes visível 1 núcleo em cada um (esfera incolor e refringente).



Fotos de lâminas de UFC







25 de jun. de 2010
Esporozoários - Filo Apicomplexa

Esporozoários - Filo Apicomplexa

Este filo compreende protozoários que, em pelo menos 1 estágio de seu ciclo biológico, apresenta o “complexo apical”, que é um conjunto de organelas (anel polar, roptrias, micronemasconóide) especializadas na penetração em células. Tal estrutura só pode ser observada à ME, entretanto, à MO podemos perceber no coccídio, a forma afilada da extremidade onde o complexo apical se situa.
1) Plasmodium: deste gênero, estudamos as espécies que mais frequentemente causam malária entre nós - o P. vivax (terçã benigna) e P. falciparum (terça maligna). As formas diagnósticas de malária, encontradas nos esfregaços sanguineos são:

a) P. vivax - trofozoítas, esquizontes e gametócitos. Esta espécie penetra principalmente reticulócitos, que se tornam maiores e com granulações de Schuffner (muitas).

a.1) Trofozoítas de P. vivax: forma de anel, com citoplasma espesso e cromatina interna (fazendo parte do “anel”). É unico na célula e possui um único núcleo.

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b) P. falciparum: trofozoítas e gametócitos. Esta espécie parasita hemácias de qualquer idade, que às vezes se tornam um pouco maiores quando parasitadas e com granulações de Maurer (poucas e grandes).

a.1) Trofozoítas de P. falciparum: tem forma de anel com citoplasma delgado e cromatina saliente (como se fosse a pedra do “anel”). Frequentemente apresenta-se com mais de 1 núcleo por anel e em mais de 1 anel por célula.




a.2) Gametócitos de P. falciparum: tem forma de salsicha ou banana, com as duas extremidades arredondadas e nucleo central; além disso, apresenta um pigmento malárico (preto) abundante.


2) Toxoplasma gondii: causador da toxoplasmose, transmitida através da ingestão de oocistos maduros provenientes de fezes de gatos (hospedeiros definitivos) contaminados ou pela ingestão de cistos (bradizoítos) em carnes cruas ou malcozidas de carneiros, suínos, bovinos e outras (hospedeiros intermediários, como o homem); e ainda pela forma transplacentária (taquizoítos) por uma infecção aguda da mãe. O T. gondii se reproduz de forma assexuada (por endodiogenia - brotamento inteno) com proliferação de taquizoítos e encistamento e de forma sexuada (por gametogonia/esporogonia) com produção de oocistos. Assim, os estágios evolutivos do T. gondii são:

Em mamíferos e aves (h. intermediários): taquizoítas (livres ou intracelulares, formando pseudocistos) e bradizoítas (formando cistos, principalmente no tecido muscular e nervoso)
Em felinos (h. difinitivos): oocistos contendo esporozoítas, que se formam no epitélio intestinal destes animais e são eliminados juntamente com as fezes.
2.1) Taquizoítas: tem formato de “crescente” ou vírgula, com uma extremidade mais afilada, que contém o complexo apical (visível apenas à ME) e núcleo excêntrico, mais próximo da extremidade mais larga.


____Fotos de lâminas da UFC.












Protozoários Tripanosomatídeos

Protozoários Tripanosomatídeos

Estes protozoários pertencem à familia Trypanosomatidae, que contém protozoários possuidores de um só flagelo, e à ordem Kinetoplastida, pois possuem cinetoplasto (organela com estrutura mitocondrial que contem parte do DNA do parasito). Os gêneros Leishmania e Trypanosoma possuem espécies capazes de parasitar o homem.



1) Leishmania sp.: causadores de diversos tipo de leishmaniose (cutânea, mucocutânea, visceral), apresentam-se em 2 estágios evolutivos:




a) Amastigota: é a forma diagnóstica da doença, encontrada no interior de células do sistema mononuclear fagocitário do hospedeiro vertebrado e no espaço extracelular; nao é possivel visiualizar flagelo externo à MO; tem forma arredondada, com núcleo redondo em vermelho e cinetoplasto menor que o núcleo e vermelho mais escuro; o citoplasma geralmente é azul pálido e às vezes, vacuolizado.







As duas primeiras fotos são fotos de livros, mas as duas últimas são fotos de lâminas da UFC.









b) Promastigotas: vivem no aparelho digestivo de fêmeas dos insetos flebotomíneos, onde as formas promastigotas procíclicas se transformam em promastigotas metacíclicas, que são as formas infectantes de Leishmania sp. para os hospedeiros vertebrados; possuem forma fusiforme, com flagelo (extremidade anterior); núcleo arredondado no centro e cinetoplasto vermelho intenso proximo ao flagelo, na extremidade anterior; o citoplasma é azul pálido e, às vezes, vacuolizado.





2) Trypanosoma cruzi: protozoário causador da D. de Chagas, é heteroxeno, parasitando insetos hemípteros hematófagos (triatomíneos) e hospedeiros vertebrados (diversos mamíferos, incluindo o homem). Nos mamíferos são encontradas as seguintes formas evolutivas: tripomastigota sanguíneo (formas largas e delgadas) e amastigota (no interior de células do SMF, múculares, hepáticas etc)


a) Tripomastigota: fusiforme, geralmente, é encontrado contorcido, em forma de C ou S; possui núcleo central, ovalado, vermelho e cinetoplasto vermelho intenso, volumoso, localizado na extremidade posterior (no lado oposto ao flagelo); o citoplasma é azulado e há uma membrana ondulante em toda a extensão do parasito.




























11 de jun. de 2010
Nematoda. Familias Ancylostomidae e Strongiloididae.

Nematoda. Familias Ancylostomidae e Strongiloididae.

1) A Família Ancylostomidae é dividida em várias subfamílias, das quais apenas 2 estudamos em nosso curso: Ancylostominae, que apresentam dentes (Acylostoma braziliense com 1 par, A. duodenale com 2 pares e A. caninum com 3 pares) e Bunostominae, que apresentam lâminas (placas) cortantes (Necator americanus com 1 par).





a) Adultos: Tanto machos quanto fêmeas apresentam cor róseo-avermelhada a fresco e esbranquiçada, após mortos por soluções fixadoras. Os machos são menores que as fêmeas e apresentam extremidade posterior com bolsa copuladora bem desenvolvida (gubernáculo presente em A. duodenale, mas ausente em N. americanus). As fêmeas apresentem abertura genital (vulva) no terço posterior do corpo e extremidade posterior afilada.


Fêmea (extremidade retilínea)_____Macho (extremidade apresenta bolsa copuladora)

b) Ovo: é incolor, apresenta forma elíptica (~50x20 micrômetros); tem casca fina formada por uma única membrana e apresenta um espaço largo entre a membrana e o conteúdo,o qual depende do tempo de maturação do ovo, podendo ser vistos 4 ou 8 blastômeros (fezes recentes) ou uma massa de células e até mesmo um embrião formado (fezes com mais de 24h). Os ovos de ancilostomídeos são indistinguíveis, sendo denominados de ovo de Ancylostoma sp.


c) Larva: as larvas rabditóides de A. duodenale e de N. americanus são indistinguíveis, por isso as designamos como larvas de Ancilostomídeos. Estas se diferenciam das larvas de Strongyloides por apresentarem vestíbulo bucal longo e primórdio genital pouco nítido. A larva filarióide de Ancilostomídeo possui cauda pontiaguda, com bainha e esôfago ocupando 1/3 do seu corpo.





2) A Família Strongiloididae possui uma espécie de grande importância médica e social. Strongyloides stercoralis apresenta elevada prevalência em regiões tropicais e grande facilidade de transmissão e auto-infecção, podendo originar formas graves de hiperinfecção e disseminação em indivíduos imunocomprometidos.
Apresenta 6 formas evolutivas em seu ciclo biológico (fêmea partenogenética parasita, fêmea de vida livre ou estercoral, macho de vida livre, ovo, larva rabditóide e larva filarióide), entretanto, em nosso curso, estudaremos a morfologia apenas da larva rabditóide, diferenciando-a da larva de Ancilostomídeo pelo seu vestíbulo bucal curto e primórdio genital bastante nítido.

Nematoda. Famílias Ascarididae, Oxyuridae e Trichuridae.

Nematoda. Famílias Ascarididae, Oxyuridae e Trichuridae.

1) Família Ascarididae é composta por vermes longos robustos e cilíndricos, com extremidades afiladas. Em nosso curso, estudamos a espécie Ascaris lumbricoides, cuja morfologia é estudada pelas fases evolutivas encontradas em seu ciclo biológico, que são:

a) Macho: mede cerca de 20-30 cm de comprimento (menor que a fêmea) e apresenta cor leitosa. O caráter sexual externo que o diferencia da fêmea é sua extremidade posterior fortemente encurvada para a face ventral. Apresenta ainda em sua extremidade posterior 2 espículos (órgãos acessórios da cópula) e ausência de gubernáculo.
b) Fêmea: mede cerca de 30-40 cm e é mais robusta que o macho, mas apresenta cor, boca e aparelho digestivo semelhantes. A vulva é localizada no terço anterior do parasito e sua extremidade posterior é retilínea (diferenciando do macho).


c) Ovo: cor castanha, grande (~60 micrômetros), oval ou esférico, com cápsula espessa constituída por membrana externa mamilonada (composta de mucopolissacarídeos), membrana média (quitina + proteína) e outra mais interna, delgada e impermeável a água (lipídios + proteínas). Internamente, há uma massa de células germinativas. É frequente encontrar ovos atípicos nas fezes: incolores, ou desprovidos de membrana mamilonada ou mesmo inférteis, os quais são mais alongados, com membrana mamilonada mais delgada e citoplasma granuloso (células germinativas degeneradas).


2) Família Oxyuridae possui várias espécies de interesse veterinário e apenas uma que ocorre no homem, o Enterobius vermicularis, que apresenta nítido dimorfismo sexual, com cor e formato semelhante (brancos filiformes) e presença de “asas cefálicas” na extremidade anterior, lateralmente a boca. Suas formas evolutivas são:

a) Macho: apresenta 5mm de comprimento, com cauda recurvada ventralmente, contendo um espículo.
b) Fêmea: mede cerca de 1cm e apresenta cauda pontiaguda e longa. A vulva se abre na porção média anterior.



c) Ovo: apresenta aspecto grosseiro de um D (~50x20 micrômetros), é incolor, possuindo dupla membrana lisa e transparente; já apresenta uma larva em seu interior ao sair da fêmea.





3) Família Trichuridae apresenta uma forma típica semelhante a um chicote com 2/3 do comprimento total do corpo afilado (esôfago) e 1/3 posterior alargado (intestino e órgãos genitais). Trichuris trichiura é a espécie estudada em nosso curso, e suas formas evolutivas são:

a) Macho: é menor do que a fêmea (~3cm) e apresenta extremidade posterior fortemente recurvada para a face ventral, com 1 espículo protegido por bainha.
b) Fêmea: mede cerca de 5cm e apresenta extremidade posterior retilínea.


c) Ovo: forma elíptica ou de barril (~50 micrômetros), cor castanha, com tripla membrana e 2 opérculos polares; apresenta células germinativas em seu interior.