Leucócitos
LESÃO
Bibliografia
FILHO, Geraldo B; Bogliolo Patologia. 7ª Edição. Pgs 3 e 4. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2006.
Amebíase
É uma patologia provocada por uma ameba chamada Entamoeba Histolytica, que habita o intestino grosso do homem ( na forma trofozoíta ).
Ciclo evolutivo :
- Liberação de cistos no meio ambiente, é ingerido por via oral na água e nos alimentos contaminados,vai para o estômago e sofre ação do suco gástrico, vai para o intestino grosso, desenvolve-se e encista ( assume a forma de cisto ), os cistos formam uma ameba que se multiplica, forma outras amebas que eliminam novos cistos, os cistos são eliminados nas fezez, gerando assim um novo ciclo.
Amebíase intestinal :
É uma infecção do intestino grosso, consiste em diarréia com fezes muco-sanguinolentas, com frequencia entre oito a doze vezes por dia, pode estar associada a desidratação, a cólicas abdominais, a naúseas, êmese, febre …
Extra-intestinais:
Leva aos casos mais extremos que evoluem para a morte do individuo infectado. Uma vez que a ameba atravessa a parede intestinal e, pela veia porta, chega até o fígado e deste migra para outros órgãos como pulmão e o cérebro. Sendo assim de maior gravidade.
(Abscesso cerebral amebiano)
Relação Parasito-Hospedeiro
- O parasita mantem uma relação harmônica, equilibrada com o hospedeiro sendo chamada assim de parasitismo, ele só passa a prejudica-lo ( gerar uma patogenicidade* ) quando há um desequilibrio sendo chamada assim de doença parasitária.
( Escabiose, causada por ácaros parasitos de pele, conhecida nos cães como sarna sarcóptica, nos gatos como sarna notoédrica )
# No sistema parasito-hospedeiro existe uma co-evolução. Os parasitas estão constantemente evoluindo para ’’ acompanhar “ o hospedeiro que vem evoluindo rapidamente para minimizar a infectividade e virulência dos parasitas, se caso eles permanececem com o mesmo grau de virulência, eles consegueriam de certa forma acabar com os seus hospedeiros ( no caso o homem ), com isso eles acabariam morrendo também, acabando parcialmente ou totalmente com a especie. Por isso está havendo essa evolução, para manter o equilibrio entre ambos.
* Patogenicidade: Capacidade do parasito gerar doença.
Diagnóstico Imunológico de HTLV TIPO I e II e Lupús Eritematoso
O vírus linfotrópico para células T humanas tipo I (HTLV-I) foi descoberto em 1980, isolado de células derivadas de paciente com linfoma cutâneo e mais tarde relacionado à leucemia/linfoma de células T do adulto (ATL), doença descrita três anos antes no Japão. Pouco depois da descoberta do HTLV-I, em 1982 foi isolado outro retrovírus, o HTLV-II, isolado através de células esplênicas de paciente variante de leucemia. O HTLV-II tem semelhança com o HTLV-I em 66% das seqüências genômicas, havendo reações sorológicas cruzadas entre eles.
O aumento do número de células infectadas é a principal estratégia para a elevação da carga viral, de modo que a carga viral do HTLV-I/II é proporcional ao número de células infectadas.
A maior parte dos indivíduos infectados por HTLV-I ou HTLV-II permanece assintomáticos por toda sua vida, sabe-se que o HTLV-I é responsável por pelo menos duas síndromes: Leucemia/linfoma de células T do adulto (ATL/L) e uma mielopatia crônica, conhecida como paraparesia espástica tropical ou mielopatia associada ao HTLV-I (HAM/TSP). Ainda não é conhecido o mecanismo oncogênico que determinam a evolução de indivíduos infectados com HTLV-I para o quadro de ATL/L. Mas sabe-se que os linfócitos infectados passam a expressar marcadores celulares de superfície, característicos de estado de ativação celular, podendo exibir proliferação celular espontânea. Considerando que a proteína viral p40tax apresenta ação transativadora sobre genes celulares relacionados à proliferação celular, admite-se que esta possa ter um papel importante na transformação celular dos linfócitos infectados.
A agressão ao tecido nervoso no quadro de HAM/TSP pode ocorrer devido a dois mecanismos:
- Citotoxicidade de linfócitos CD8+ sensibilizados a proteínas virais sobre células gliais infectadas ou células CD4+ infectada;
- Auto-imunidade: agressão de clones proliferados de células CD4+ infectados por HTLV-I à proteína básica da mielina por ação tóxica de citocinas.
1.1 Manifestações Clínicas
1.1.1 Leucemia/linfoma de células T do adulto (ATL/L)
A ATL/L apresenta-se sob diferentes formas clínicas:
Aguda: com adenomegalia generalizada, hepatoesplenomegalia, lesões osteolíticas, hipermalcemia e frequentemente manifestações cutâneas. No sangue periférico é encontrado elevado número de linfócitos atípicos, exibindo núcleos multilobulados (células ATL).
Crônica: linfonodomegalia e hetoesplenomegalia, acompanhadas de leucocitose. Presença de tosse, alterações cutâneas, calcemia. Presença de linfócitos atípicos de no máximo 10%.
Indolente: com manifestações exclusivamente dermatológicas. Evolução lenta. Presença de células ATL em 0,5% a 3%.
Linfomatosa: com linfonodomegalia acentuada, sem células atípicas em sangue periférico.
1.1.2 Paraparesia Espástica tropical ou mielopatia associada ao vírus HTLV (HAM/TSP)
É uma doença desmielinizante progressiva crônica que causa danos principalmente no cordão torácico-espinhal, e é mais freqüente nas mulheres. Os sintomas iniciais são fraqueza e rigidez dos membros inferiores.
Ainda não se sabe se a maior parte dos danos neurológicos ocorre no primeiro ano e infecção; indivíduos que após três anos do aparecimento dos sintomas inicias desenvolvem um quadro de paralisia unilateral, o tempo médio ate o confinamento em cadeira de rodas é de quatro anos.
Na leucemia de célula T pilosa, o DNA proviral HTLV-1 é encontrado predominantemente em células TCD8+, diferentemente do que se observa na leucemia pelo HTLV-1, em que são encontrados 90 a 99% do provírus em células TCD4+ CD8+.
1.1.3 Manifestações relacionadas ao HTLV-II
Embora tenha sido isolado em um paciente com leucemia atípica, não existe evidencia que seja o agente etiológico responsável. Mas casos recentes tem mostrado a participação do HTLV-II em casos de mielopatia crônicas, semelhantes ao HAM/TSP. Ainda existem evidências do HTLV-II em infecções com polineuropatias e quadros de mielopatia inflamatória.
1.2 Diagnóstico
O diagnóstico para HTLV-I/II é baseado na detecção sorológica de anticorpos circulantes específicos voltados a constituintes antigênicos das diferentes porções dos vírus. Como as infecções causadas por HTLV-I/II são de natureza perene, achado de anticorpos circulantes especificamente voltados a constituintes antigênicos virais indica o estado de portador da infecção.A triagem para o HTLV utiliza reações de aglutinação em látex sensibilizada ou por ensaio imunoenzimático (ELISA), embora apresentem alta sensibilidade e especificidade, tais técnicas, quando empregadas em situações de rastreamento em populações de baixa prevalência infecciosa podem exibir baixo valor preditivo positivo e apresentar freqüentes reações falsas positivas. Por isso o diagnóstico exige confirmação através de Western blot.
Devido à semelhança entre os HTLV-I e HTLV-II ocorre reações cruzadas entre eles nos testes sorológicos realizados, assim se os indivíduos forem soropositivos são identificados como soropositivos para HTLV I/II, porém não se sabe qual é o HTLV é responsável pela infecção. Por ser necessário saber o tipo de HTLV causador, para melhor aconselhamento clínico ao paciente, realiza Western blot para identificar o tipo de HTLV.
2. LÚPUS ERITEMATOSO
O Lúpus Eritematoso é uma doença auto-imune reumática. Onde o colágeno pode assumir dupla importância: como alvo de reações auto-imunes e como tecido conjuntivo produzido em excesso. Existem dois tipos de Lúpus Eritematoso. O Lúpus Eritematoso Bolhoso (LEB) que é uma doença vesicante epidérmica, caracterizada pela presença de auto-anticorpo para o colágeno de tipo VII. E o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) que é uma doença multissistêmica, caracterizada pela presença de múltiplos auto-anticorpos, incluindo os anticorpos antinucleares, anti-DNA natural, anti-histonas e anti-Sm.
2.1 Lúpus Eritematoso Bolhoso (LEB)
É uma doença vesicante epidérmica caracterizada pela presença caracterizada pela presença de auto-anticorpo para o colágeno de tipo VII na proteína da zona da membrana basal (ZMB). Os pacientes acometidos com uma combinação de vesículas, erosões, escaras, miliária e despigmentação da pele, mais comumente nas superfícies cutâneas extensoras expostas ao traumatismo, como joelhos, cotovelos e dorso das mãos e dos pés. Está sintomatologia também ocorre na Epidermólise Bolhosa Adquirida (EBA), então para realizar diagnóstico da doença é necessário exame laboratorial. Lembrando que o LEB também ocorre em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico.
2.1.1 Diagnóstico
O diagnóstico deve ser confirmado com exames laboratoriais. Que podem ser:
- Por microscopia de imunoflurescência direta, os pacientes com LEB apresentam imunorreativos lineares na ZMB que mais comumente consistem IgG e C3. Por meio de biópsia direta da pele separada por cloreto de sódio, os imunorreativos lineares são localizados no aspecto dérmico, ou assoalho, da úlcera produzida;
- Por microscopia de imunoflurescência indireta, existe uma dificuldade na localização de auto-anticorpos demonstráveis quando a pele humana está sem tratamento com sal. Os auto-anticorpos circulantes podem ser identificados em 50% a 85% dos pacientes quando é realizada a técnica da biópsia direta tratada com sal.
2.2 Lúpus Eritematoso Sistêmico
O Lúpus Eritematoso Sistêmico é uma doença multissistêmica que segue um curso flutuante, com exacerbações e remissões espontâneas. É identificada por suas manifestações clínicas e por uma variedade de auto-anticorpos circulantes. Em particular, os auto-anticorpos dirigidos contra componentes do núcleo celular desempenham importante papel diagnóstico e patogênico. O LES afeta 40 em 100.000 indivíduos da Europa setentrional ou caucasianos americanos. A incidência parece ser maior na população negra e ainda maior em orientais.
2.2.1 Patogenia
O quadro patogênico do LES relaciona-se fatores ambientais que interagem com genes de suscetibilidade, produzindo uma resposta imunológica hiperativa e auto-agressiva: os principais efetores da lesão tecidual consistem em auto-anticorpos imunocomplexos.
Com as acentuadas semelhanças entre um vírus e os alvos dos anticorpos encontrados no LES, uma das explicações mais freqüentes para o mecanismo de desenvolvimento da doença consiste num processo que envolve o mimetismo molecular entre microorganismos e os constituintes “próprios”. Os auto-anticorpos encontrados LES são produzidos por linfócitos B que sofreram rearranjos gênicos e mutações somáticas típicos de uma resposta desencadeada por um antígeno. Parece haver também uma desregulação generalizada dos linfócitos B, resultando na produção de grandes quantidades de auto-anticorpos, os quais lesam as células e tecida através de sua ligação direta às membranas celulares ou da formação de imunocomplexos que se depositam.
O papel lesivo dos auto-anticorpos antiplaquetários na trombocitopenia, observado em paciente com LES, encontra-se bem estabelecido, enquanto foram implicados dos auto-anticorpos antineuronais nas manifestações neurológicos do lúpus. Os anticorpos antilinfócitos não apenas são responsáveis pela linfopenia generalizada observada no lúpus, como também pela depleção seletiva dos linfócitos T imunorreguladores, cujo papel é restringir as reações auto-imunes. E após, estabelece um círculo vicioso de imunorregulação deficiente, auto-imunidade, anticorpos antilinfócitos e deficiência da imunorregulação.
Os auto-anticorpos anticardiolipina-circulantes são agentes patológicos adicionais; reagem com componentes fosfolipídicos (dos quais a cardiolipina é um dos principais) e estão envolvidos na trombose arterial e venosa, bem como no aborto espontâneo
Os imunocomplexos de auto-anticorpo e auto-antígeno alojam-se em tecidos altamente vascularizados, como o glomérulo renal. A potogenicidade destes complexos aumenta com a crescente capacidade do anticorpo de fixar o complemento: o tamanho dos complexos, a sua carga e depuração (que depende de receptores de C4 e do complemento funcionais) é importante por influenciar a deposição nos tecidos.
O número de CR1 (receptor do complemento 1) é reduzido na superfície dos eritrócitos de pacientes com lúpus: tal defeito, que costuma ser adquirido, mas é, algumas vezes, herdado no SLE, impede a liberação de toda a carga de imunocomplexos ao sistema mononuclear fagocítico no interior do fígado e do baço. A natureza catiônica do DNA nos imunocomplexos do lúpus facilita a ligação às paredes capilares no interior do glomérulo.
2.2.2 Manifestações clínicas ou conseqüências no organismo
O LES é uma doença multissistêmica que pode afetar quase todos os órgãos. Sendo algumas manifestações habituais e outras raras. A gravidade das manifestações clínicas é variável e alteram conforme os períodos de relativa quiescência.
Manifestações musculoesqueléticas: Artralgias e artrite, de natureza migratória, afeta praticamente todos os pacientes. Raro haver lesão na coluna.
Manifestações cutâneas: eritema malar sobre as bochechas e a ponte do nariz é típico, porém ocorre em um terço dos pacientes. Freqüente em áreas expostas aos sol (pescoço, braço, pernas)
Manifestações renais: grande parte dos pacientes apresenta depósitos de imunoglobulinas nos glomérulos, apresentando um glomerulonefrite (presente em 50% dos casos), incluindo uma doença profilerativa focal leve até uma doença proliferativa difusa agressiva.
Manifestações neurológicas: Pode ser afetada qualquer região do SNC, e as manifestações vão desde psicose e convulsões até síndromes cerebrais orgânicas.
Manifestações cardiopulmonares: pode ocorrer pericardite, anormalidade valvulares, derrame pleural também é comum.
Manifestações vasculares: estas complicações afetam vasos de qualquer calibre, encontrado geralmente associado a anticorpos antifosfolipídios. A vasculite retiniana constitui uma grave manifestação ocular.
2.2.3 Manifestações imunológicas laboratoriais
O anticorpo antinuclear (ANA) constitui a característica soro-imunológico essencial do LES. Com o decorrer do tempo, é certo considerar que todos os pacientes com LES irão apresentar este anticorpo no soro. O ANA é detectado utilizando a técnica de imunoflurescência indireta, na qual o soro diluído do paciente é aplicado a uma preparação tecidual- ou preparação de células-, em que os núcleos são proeminentes.
Quatro padrões de ANA podem ser facilmente reconhecidos na imunoflurescência:
1° Padrão homogêneo: este padrão é produzido por um anticorpo dirigido contra proteínas relacionadas às DNA, as histonas;
2° Padrão heterogêneo: este padrão corresponde a uma variedade de anticorpos dirigidos contra outros antígenos no núcleo. Estes antígenos foram coletivamente denominados antígenos nucleares extraíveis (ENA) e são normalmente detectados por imunodifusão ou por técnicas de ELISA.
3° Padrão periférico: tradicionalmente, o padrão periférico de coloração do ANA corresponde ao anti-DNAdf, embora este aspecto seja controvertido. Os anticorpos dirigidos contra proteínas do envoltório nuclear, como as lâminas, também são responsáveis pelo padrão periférico.
4° Padrão nucleolar: este padrão nucleolar é raro no LES, sendo mais associado à esclerose sistêmica.
O ANA é um teste muito sensível para LES, e sua presença, frequentemente em altos títulos, é observada em praticamente todos os pacientes. A especificidade em relação LES é relativamente baixa, devido a este anticorpo estar presente em outras doenças reumáticas, como na hepatopatia auto-imune, nas infecções virais e, em certas ocasiões, nos indivíduos normais em baixos títulos.
2.2.4 Diagnóstico
O LES é um distúrbio caracterizado sorologicamente pela presença de múltiplos auto-anticorpos, incluindo os anticorpos antinucleares, anti-DNA natural, anti-histonas e anti-Sm. Por meio de microscopia de imunoflurescência direta (MIFD) pode-se observar depósitos granulares e contínuos de imunoglobulina e complemento ao longo da zona da membrana basal (ZMB) epidérmica em 50% a 95% dos pacientes com LES. Os depósitos na ZMB do complexo de ataque à membrana do sistema complemento, C5b-9, na pele lesional podem ser um marcadores de LES. Embora os depósitos de IgG, IgM e de componentes do complemento (C3 e/ou C1q) sejam mais comumente encontradas nesse pacientes, pode haver deposição de imunoglobulinas de todas as demais classes. Quando a pele não lesional apresenta concomitantemente as imunoglobulinas IgG, IgA e/ou IgM no padrão típico, o diagnóstico de LES é fortemente sugestivo.
Embora característica, essa reação também é encontrada em distúrbios como doença mista do tecido conjuntivo. Portanto, é de fundamental importância o estabelecimento de uma correlação dos resultados por MIFD com a apresentação clínica e os resultados das biópsias de pele sob microscopia óptica desses pacientes. As informações devem ser interpretadas no contexto de achados diretos do paciente individual a fim de classificar o tipo clínico de LES.
BIBLIOGRAFIA:
LIVROS:
- PEAKMAN, Mark. Imunologia Básica e Clínica. 2ª Edição. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro,1999.
- HENRY, John B; Diagnósticos clínicos e tratamentos por métodos laboratoriais. 20ª Edição. Manole, 2008.
- SHARON, Jacqueline. Imunologia Básica.1ª Edição. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro,2000.
- FOCACCIA, Robert. Veronesi: Tratado de Infectologia. Vol. 1. 3ª Edição. Atheneu. São Paulo, 2006.
INTERNET:
- BITTENCOURT, Achiléa L. [et al]. Leucemia/ linfoma de células T adulto. Acesso: www.scielo.br
Cientistas descobrem mecanismo do corpo humano que controla níveis de açúcar
TRICURÍASE
MORFOLOGIA
Ovos: são muito característicos e fáceis de serem identificados ao microscópio, pois possuem o aspecto de um barril, de cor marrom, com dois tampões hialinos nas extremidades. Medem em torno de 50 μm de comprimento por 22 μm de largura. A casca é formada por três camadas, sendo a mais externa de cor marrom ou castanha por estar impregnada de pigmentos fecais.
Tem como hábitat o intestino grosso humano, especialmente o ceco e o colo ascendente, onde geralmente são encontrados poucos vermes, em torno de dez; nas infecções maciças (de cem a mil vermes) podem ser encontrados no colo descendente, reto e até no íleo. Vive com a porção anterior mergulhada na mucosa, de onde retira seus nutrientes, representados por glicose e pelos produtos de digestão enzimática (enzimas proteolíticas) das células locais. Esses helmintos têm grande longevidade, estimada em mais de cinco anos, porém sabe-se que a grande maioria dos vermes morre ao fim de dois ou três anos.
Esses ovos chegam ao meio exterior contendo apenas uma massa de células, que, estando em ambiente sombreado, úmido e sob temperatura ambiente variando entre 20 e 30°C inicia a embriogênese, que se completa em torno de 30 dias (sob temperatura de 34°C a embriogênese se dá em 14 dias). Os ovos larvados, L1, permanecem infectantes no solo por um ano, mas em laboratório podem permanecer infectantes por até cinco anos. Esses ovos larvados podem ser disseminados por moscas, poeira etc., e a infecção dos humanos se dá por ingestão desses ovos larvados (L1) junto com alimentos, mãos sujas etc. Após a ingestão, os ovos são semi digeridos pelo suco gástrico, permitindo a eclosão das larvas no nível do intestino delgado, de onde migram para o intestino grosso, onde se fixam. Nesse local, as larvas sofrem quatro mudas e transformam-se em vermes adultos cerca de dois a três meses após a ingestão dos ovos larvados.
A grande maioria dos portadores é assintomática, e não se sabe a quantidade parasitaria para causar efeitos ou manifestações clínicas. Observar as condições em que se encontram os pacientes é uma variável importante para o aparecimento e a gravidade do quadro clínico. As lesões são discretas, mesmo nas infecções pesadas, é provável que ocorra um processo irritativo das terminações nervosas locais, estimulando o aumento do peristaltismo e dificultando a reabsorção de líquidos no nível de todo o intestino grosso. Em pacientes sintomáticos, apresentam: diarréia, emagrecimento, insônia e apresentam uma eosinofilia elevada.
RESUMO DA EPIDEMIOLOGIA
·Fonte de infecção: humanos;
·Forma de transmissão: ovos;
·Via de transmissão: mãos sujas/alimentos;
·Via de penetração: boca.
·Como os humanos são os únicos hospedeiros do Trichuris trichiura, é fundamental, além das medidas gerais, procederem-se ao tratamento das pessoas infectadas, com ou sem sintomatologia, pois podem funcionar como fonte de contaminação do peridomicílio.
- REY, L. Bases da parasitologia médica. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S. A., 2008.
TENÍASE
MORFOLOGIA
O Escólex: no T. solium, é ovóide ou piriforme e de reduzidas dimensões com quatro ventosas e dupla coroa de acúleos inserido em um rosto situado entre as ventosas. O T. saginata apresenta a quatro ventosas, porém faltam-lhe os acúleos, que é responsável pela principal distinção entre ele e T. solium. Possui a função de fixar o helminto na mucosa do intestino delgado do hospedeiro.
Colo: é curto e delgado
Estróbilo ou corpo: corpo é formado por uma série de anéis ou proglotes, que se iniciam no colo como proglotes jovens, seguidas pelas proglotes maduras e, finalmente, terminam pelas proglotes grávidas. Cada proglote é um “organismo” independente sob o ponto de vista nutricional e reprodutivo; é hermafrodita, com desenvolvimento precoce dos órgãos masculinos, seguida do desenvolvimento dos órgãos femininos.
FISIOLOGIA DOS VERMES ADULTOS
Crescimento e apólice: T. saginata aumenta 9 a 12 proglotes por dia, que vão amadurecendo lenta e regularmente desde a região do colo até a extremidade posterior, onde estão os anéis grávidos, repletos de ovo. Nessa espécie o estróbilo compreende 1.000 a 2.000 proglotes, enquanto na T. solium elas são 700 a 900. O desenvolvimento completo é atingido após uns três meses. As proglotes começam, então, a desprender-se do estróbilo, por ruptura (apólice) ao longo dos sulcos que marcam os limites entre elas, e aparecem nas fezes. De 8 a 9 proglotes desprendem-se diariamente da cadeia de T. solium, permitindo ainda assim um crescimento contínuo do comprimento total do helminto.
Longevidade: até 25 anos T. solium, até 30 anos T. saginata.
CICLO BIOLÓGICO
O ciclo da T. saginata e T. solium são semelhantes, mas o hospedeiro intermediário é diferente. Para T. saginata são os bovídeos e para T. solium é o porco.
O ciclo: Os ovos chegam ao ambiente externo dentro de proglotes, que contém em torno de 80.000 ovos. Quando os ovos são ingeridos pelo gado, dá-se a eclosão e a ativação do embrião (pela ação dos sucos digestivos e da bile), em seguida a oncosfera penetra na mucosa intestinal e ganha a circulação sanguínea. O desenvolvimento posterior terá lugar no tecido conjuntivo dos músculos esqueléticos e cardíaco dos animais. Duas semanas após a infecção os cisticercos já são visíveis a olho nu. O completo amadurecimento e a capacidade infectante para o hospedeiro definitivo só são alcançados depois de 10 semanas, aproximadamente. A longevidade dos cisticercos é curta, as larvas se degeneram e se calcificam após nove meses.
O homem parasitado elimina as proglotes grávidas cheias de ovos para o meio exterior. Em alguns casos, a proglote pode se romper dentro do intestino e os ovos serem eliminados nas fezes. A infecção no homem pelos cisticercos se dá pela ingestão da carne crua ou mal cozida de porco ou boi infectado. O cisticerco ingerido sofre ação do suco gástrico, evagina-se e fixa-se através do escólex, na mucosa do intestino delgado, onde se transforma em uma tênia adulta, que pode atingir até oito metros em alguns meses. Três meses após a ingestão da larva, inicia-se a eliminação de proglotes grávidas.
NUTRIÇÃO
A nutrição das tênias dá-se principalmente através de seu tegumento recoberto por microvilosidades ou microtríquias, formado por uma membrana celular altamente permeável; essas microtríquias oferecem enorme extensão superficial do tegumento, permitindo a penetração de nutrientes por simples difusão. As tênias apresentam grande consumo de carboidratos (glicose, galactose), lipídios, proteínas, vitaminas; no tegumento, notam-se depósitos de calcário, sob a forma de pequenos grânulos, muito freqüentes nas formas larvárias e proglotes maduras, dando o aspecto leitoso ao helminto; esse calcário é constituído por Ca, Mg, P e CO2, porém não se sabe bem sua função.
T. saginata: as manifestações clínicas: são perturbações gastrointestinais (dor epigástrica), perda de peso e náuseas. Em alguns casos há cefaléia, vertigens, constipação intestinal ou diarréias, e prurido anal.
T. solium: as manifestações clínicas são similar a da T. saginata, mas as formas assintomáticas e benignas sejam mais freqüentes. A grande quantidade larvária no homem resulta na cisticercose humana.
DIAGNÓSTICO
EDIPEMIOLOGIA
•Distribuição geográfica: mundial; Fonte de infecção: humanos;
•Forma de transmissão: cisticercos;
•Via de transmissão: carne de bovino/suíno mal cozido;
•Via de penetração: boca.
Lembrando que a Cisticercose a forma de transmissão são os ovos e a vista de transmissão é: falta de higiene pessoal, e alimentos contaminados com ovos.
•Tratamento das pessoas infectadas pelas formas adultas das tênias;
•Criação de suínos em condições higiênicas e controladas;
•Educação sanitária, ou melhor, conscientização da população rural para não defecar no solo aberto, procurando enterrar as fezes caso não haja privadas nas proximidades;
•Proibir o comércio de animais abatidos em fazendas.
•De acordo com o Serviço de Inspeção Sanitária Federal, é obrigatória a inspeção sanitária em todo matadouro ou frigorífico, descartando-se as carcaças positivas, que devem ser encaminhadas para a produção de farinha de carne;
TRATAMENTO
- REY, L. Bases da parasitologia médica. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S. A., 2008
FILARIOSE OU ELEFANTÍASE
MORFOLOGIA
Os ovos das filarias só contam com uma delicada membrana ovular envolvendo a larva. Quando o embrião completa seu desenvolvimento e se alonga essa membrana é distendida e passa a constituir a bainha da microfilária.
As microfilárias estão presentes na circulação, sua movimentação é ativa e chicoteante, chama logo atenção de quem a examina ao microscópio de um sangue recém-colhido de um paciente. As microfilárias, depois de serem coradas por azul-de-metileno ou por Giemsa pode-se observar: bainha, cutícula, uma quantidade de núcleos bem corados que representam as células subcuticulares que irão formar a hipoderme e a musculatura do helminto adulto, e células somáticas que irão constituir o tubo digestivo.
No homem, a larva infectante é incapaz de perfurar a pele, sua penetração seria através da pequena lesão provocada pela picada do mosquito. Na pele, as larvas encontrariam seu caminho, penetrando nos linfáticos e empreendendo a migração necessária para chegar aos locais de permanência definitiva. Nessa fase do ciclo ocorrem ainda duas mudas que produzem larvas L4 e adultos juvenis, antes que os helmintos alcancem a fase de vermes adultos, machos e fêmeas. O período de maturação tarda ainda cerca de um ano, quando começam a aparecer microfilárias no sangue.
O diagnóstico laboratorial: pode ser realizado através da pesquisa de microfilárias presente no sangue periférico, que deve ser colhido entre as 10 horas da noite e as 4 da madrugada. Métodos como o de gota espessa, exame do sangue em câmara de contagem, método de concentração por filtração do sangue em membranas de milipore ou de nucleopore, são sensíveis, porém caras, e a pesquisa pelo método de Knott: centrifuga-se o sangue, e com o sedimento formado prepara-se uma lâmina que é fixada e corada e observada em microscópio.
·Diminuir a morbidade, com tratamento dos casos clínicos de filaríase.
·Reduzir a transmissão pela medicação de todos os indivíduos com microfilaremia
·Interromper a transmissão, associando quimioterapia e controle dos vetores, em programas integrados de saúde
TRATAMENTO
Ivermectina, prolongado efeito sobre a microfilária, bem tolerada causando ligeira irritação ocular, sonolência; Dieatilcarbamazina (DEC) demonstrou que a boa ação filaricida depende do bom funcionamento do mecanismo imunológico humorais e celulares do hospedeiro,é seguro e de baixa toxicidade, pode produzir efeitos colaterais como: anorexia, náuseas e vômito, astenia, tonturas e sonolência.
- REY, Luís. Bases da parasitologia médica. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S. A., 2008
ENTEROBÍASE OU OXIUROSE
MORFOLOGIA
Ovos: São muito característicos se apresentam ligeiramente achatados de um lado. Tem superfície pegajosa, que se adere facilmente a qualquer suporte, dentro do ovo existe uma larva já formada.
As fêmeas fecundadas não ovipõem no intestino, mas acumulam de 5.000 a 16.000 ovos, de modo que seus úteros acabam por se transformas em um único saco, distendido pela massa ovular, que ocupa quase todo o espaço entre a região bulbar do esôfago e o início da cauda. Então, elas abandonam o cécum e migram para o reto e o períneo do paciente.
Com a ovoposição, que se dá na região perianal, completa-se a vida do helminto adulto, que não tradará a morrer. Outras vezes, ao chegarem ao períneo, as fêmeas morrem, ficam ressecadas e se rompem, liberando então vários milhares de ovos cada um. A duração de sua existência é estimada em 35 a 50 dias. A dos machos é desconhecida.
No interior do ovo encontram-se uma larva já formada, que se desenvolve até o segundo estádio em condições de anaerobiose. Mas para continuar seu desenvolvimento é necessária uma atmosfera com oxigênio. Na temperatura da pele (cerca 30ºC), a maturação do ovo faz-se em 4 a 6 horas. No solo, o processo é mais lento.
Assim que completa a evolução no meio externo, os ovos tornam-se infectantes e, ao serem ingeridos, vão eclodir no intestino delgado do novo hospedeiro (ou do próprio paciente, já parasitado). Aí, as larvas irão alimentar-se, crescer e transformar-se em vermes adultos, enquanto migram lentamente para o cécum. Não há ciclo pulmonar.
No hábitat definitivo, copulam e reiniciam seu ciclo biológico, que é completado em um ou dois meses.
A ação patogênica no intestino é principalmente de natureza mecânica e irritativa, quando os vermes produzem pequenas erosões da mucosa, nos pontos em que se fixam com seus lábios; ou ao determinarem uma inflamação catarral se o número de parasitos for suficientemente grande.
O parasitismo é leve e geralmente assintomático. Os sintomas freqüentes são: prurido anal, causado pela presença do parasito na pele da região, vermelhidão no ânus, e às vezes presença de lesão retal.
O prurido é intenso, provocando muita coceira e assim, produzindo escoriações na pele. Existem também fenômenos de hipersensibilidade. Nos casos de parasitismo intenso, instala-se uma colite crônica.
Os exames de fezes, mesmo técnicas de enriquecimento, só revelam 5% a 10% dos casos de parasitismo. A melhor forma de encontrá-lo consiste em aplicar sobre a pele da região perianal (onde as fêmeas grávidas se encontram e fazem suas desovas) uma fita adesiva transparente. Os ovos, quando presentes, aderem à superfície gomada da fita. Depois de removida da pele, a fita será colocada sobre uma lâmina de microscopia e examinada ao microscópio. Além dos ovos podem ser observadas, uma ou mais fêmeas de Enterobius.
1. Transmissão do parasito de um indivíduo a outro (heteroinfecção) dá-se geralmente pela infecção e ingestão de ovos disseminados. Ocorre com pessoas que dividem o mesmo quarto, mesma cama e pessoas que freqüentam as mesmas instalações sanitárias.
2. A transmissão indireta, da região anal para a boca, através de mãos contaminadas de outra pessoa (heteroinfecção), ocorre com freqüência entre crianças entre as crianças pequenas e os adultos que cuidam delas.
3. A auto-infecção, ou seja, reinfecção com ovos procedentes do mesmo indivíduo.
4. A transmissão direta do ânus para a boca do mesmo paciente assegura a possibilidade de auto-infecção maciça, quando a pessoa, depois de coçar-se, a mão fica impelida pelo prurido e leva a mão à boca ou quando tocam alimentos, copos, talheres, cigarros, etc. que em seguida vão a boca.
·Somente a espécie humana alberga o parasito;
·Fêmeas eliminam ovos na região perianal;
·Ovos em poucas horas se tornam infectantes;
·Ovos resistem até 3 semanas em ambientes domésticos;
·Hábito de se sacudir roupas de cama.
Fármacos utilizados Albendazol, medendazo, pamoato de pirantel, piperazina, pamoato de pirvínio.
- REY, L. Bases da parasitologia médica. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S. A., 2002.
Acadêmica: Karen Quevedo
HIMENOLEPÍASE
MORFOLOGIA
Ovos: São quase esféricos, são transparentes, isto é, apresentam uma cor acinzentada com contornos ou estruturas escuras. Possuem uma membrana externa delgada envolvendo um espaço claro, onde se encontram alguns filamentos longos, originados de dois mamelões opostos existentes na membrana que envolve o embrião hexacanto ou oncosfera.
Larva cisticercóide: é uma pequena larva, constituída por um escólex (protoescólex) invaginado e envolvido por uma membrana, que contém uma pequena quantidade de líquido. Essa larva cisticercóide pode ser encontrada na cavidade geral de pulgas e coleópteros, como também nas microvilosidades intestinais de humanos e roedores.
CICLO BIOLÓGICO
Ciclo heteróxeno: nessa modalidade de ciclo, os ovos que alcançaram o meio exterior, especialmente os presentes nas frestas de assoalhos ou em locais onde se armazenam alimentos, são ingeridos por larvas dos insetos; ao chegar ao intestino de algum desses hospedeiros intermediários, a oncosfera se liberta do embrióforo e transforma-se em larva cisticercóide. Essa larva cisticercóide continua no inseto após a larva do mesmo se tornar adulto; assim, os humanos podem-se infectar ao ingerir acidentalmente larvas ou insetos adultos contendo as larvas cisticercóides. Essas atravessam o estômago e vão-se desenvaginar no intestino delgado (íleo), onde se fixam, e cerca de 20 dias depois já estão eliminando ovos nas fezes.
TRANSMISSÃO
PATOGENIA
Em crianças, onde a infecção é comum, os casos de hiperinfecção provocam sintomas como: agitação, insônia, irritabilidade, diarréia, perda de peso e dor abdominal.
EPIDEMIOLOGIA
· Distribuição geográfica: mundial;
· Fonte de infecção: humanos;
· Forma de transmissão: ovos;
· Via de transmissão: mãos sujas/ coleópteros/ pulgas;
· Via de penetração: boca.
· Educação sanitária.
· Combate aos insetos domésticos tais como carunchos e pulgas, é altamente recomendável; esse combate pode ser feito com relativa facilidade, varrendo-se (ou passando-se o aspirador-de-pó) diariamente no canil, no domicílio e incinerando-se a sujeira recolhida (onde se encontram ovos e larvas desses insetos, interrompendo-se aí o ciclo deles).
TRATAMENTO
- REY, Luís. Bases da parasitologia médica. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.








