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26 de jul. de 2016
Strongyloides stercoralis

Strongyloides stercoralis

Classificação:
Reino: Animalia
Filo: Aschelminthes
Classe: Nematoda
Ordem: Rhabditorida
Família: Strongyloididae
Espécie: Strongyloides stercoralis

A ordem a qual esse parasita faz parte, compreende pequenos nematóides que vivem no solo ou na água como seres de vida livre. Contudo, alguns parasitam animais ou plantas, como o Strongyloides stercoralis
A doença que esse parasita causa é a estrongiloidíase, também conhecida como estrongiloidose ou anguilulose. A infecção por esse parasita, geralmente resulta em doença crônica assintomática do intestino, podendo passar despercebida por décadas. Contudo, em pacientes que recebem terapia com corticoesteróides a longo prazo, hiperinfecção pode acontecer, o que pode resultar em altas taxas de mortalidade. Estrongiloidíase é de difícil diagnóstico, pois a carga parasitária é baixa e a saída das larvas é irregular, assim os resultados de uma única análise de fezes pode não detectar a presença de larvas 
Existem aproximadamente 38 espécies do gênero Strongyloides, a separação das espécies depende da exclusividade de hospedeiros que cada uma se adaptou.

Morfologia do parasita:


Fêmea de vida livre: Possui entre 1mm e 1,5mm de comprimento; possui corpo fusiforme, com extremidade anterior romba e extremidade posterior afilada. Na extremidade anterior encontra-se a boca cercada por três lábios.

Macho (sempre é de vida livre): É menor que a fêmea, possuindo cerca de 0,7mm e sua parte posterior é recurvada ventralmente.

Fêmea Partenogênica: São maiores que as fêmeas de vida livre, porém mais delgadas. Medem cerca de 2,2 mm de comprimento. 

Larva rabditóide: Medem de 200 a 300 μm de comprimento. São chamadas assim pois possuem esôfago rabditóide, ou seja, com a metade anterior cilíndrica, um pseudobulbo no meio, seguido de uma porção estreita e um bulbo na parte terminal.

Larva Filarióide: Medem cerca de  500 μm possuem o esôfago muito longo e cilíndrico sem a dilatação bulbar.


Imagem 1. Larva Rabditóide de Strongyloides stercoralis


Imagem 2. larva filarióide de Strongyloides stercoralis x10 (lâmina do LMF ) Praça e Morais, 2016



Imagem 3: larva filarióide de Strongyloides stercoralis x40 (lâmina do LMF) Praça e Morais, 2016

 



 Ciclo Biológico


 

1- Ciclo de Vida Livre:

As larvas que saem dos ovos (L1) são do tipo rabditóide. Essas larvas podem sofrer uma muda, passando para larvas rabditóides de segundo estádio (L2) que evoluirão para machos ou fêmeas de vida livre.

2- Ciclo Parasitário:

Por motivos ainda não conhecidos, algumas larvas rabditóides de primeiro estádio, ao invés de produzirem larvas de segundo estádio, passam a evoluir para larvas filarióides. Essas larvas só completam sua evolução quando se encontrarem com um hospedeiro.
Depois de invadir o tegmento, elas entram na corrente sanguínea, atravessam o ventrículo direito do coração e chegam aos capilares pulmonares, penetram os alvéolos e bronquíolos, chegam até a laringe onde são deglutidas, chegando, finalmente, ao intestino. Durante essa migração, as larvas se transformam em vermes adultos.
No intestino são encontradas, apenas, fêmeas partenogênicas.

Imagem 3. Ciclo de vida do Strongyloides stercoralis. Rey, 2008
  • Ciclo Direto: Ocorre quando as larvas rabditóides se transformam em larvas filarióides infectantes.

  • Ciclo Indireto: Ocorre quando as larvas rabditóides dão origens a vermes de vida livre. Depois da cópula desses vermes, as fêmeas põe ovos com larvas rabditóides, as quais dão origem a larvas filarióides infectantes





Referências:

ERICSSON, Charles D. et al. Diagnosis of Strongyloides stercoralis infection. Clinical Infectious Diseases, v. 33, n. 7, p. 1040-1047, 2001.
REY, Luïs. Parasitologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008

Schistosoma mansoni

Schistosoma mansoni



É o parasita responsável por causar esquistosomíase mansônica. Aqui no Brasil, essa doença também é conhecida como:  xistossomose, xistosa, doença dos caramujos ou barriga d'água.


Morfologia dos vermes adultos:


Apresenta dismorfismo sexual
-Macho: possui cerca de 1cm; tem cor esbranquiçada; apresenta o corpo dividido em duas porções: anterior, na qual encontra-se a ventosa oral e a ventosa ventral (acetábulo), e a posterior, onde encontra-se o canal ginecóforo.

-Fêmea: É maior que o macho, chegando a ter 1,5cm. Tem a cor mais escura, pois contém em seu tubo digestivo um pigmento derivado da digestão do sangue. Também possui na porção anterior a ventosa oral e o acetábulo.

Imagem 1. Casal de Schistosoma mansoni, mostrando a
 fêmea alojada no canal ginecóforo do macho (lâmina do LMF).
 Praça e Morais 2016

Morfologia dos Ovos:


Possui cerca de 150 μm. Tem um formato oval, com o polo anterior mais delgado e o polo posterior mais volumoso com um espículo voltado para trás.
O que caracteriza que o ovo está maduro é a presença do miracídio dentro dele, o qual pode ser visível pela transparência do ovo.

Imagem 2. Ovo Schistosoma mansoni. Rey, 2008

Morfologia do Miracídio:


Possui um formato cilíndrico, medindo cerca de 180 μm.
Quando abandonam os ovos, os miracídios começam a nadar de forma ativamente, descrevendo movimentos circulares.
Observações sugerem que Biomphalaria e outros gêneros de moluscos liberam substâncias que são capazes de estimular a atividade do miracídio, desenvolvendo uma ação quimiocinética inespecífica.

Morfologia da Cercária:


Apresentam um comprimento total de 500μm.
Possuem uma cauda bifurcada que serve para se movimentar no meio aquático.
Na água, as cercárias têm a tendência de se acumular sobre a superfície líquida. Estímulos luminosos ou de contato estimulam a atividade natatória.

Imagem 3. Cercárias (Lâmina do LMF). Praça e Morais, 2016


Ciclo Biológico


Este verme desenvolve sua fase adulta na luz dos vasos sanguíneos do homem, principalmente as vênulas do plexo hemorroidário superior e as ramificações mais finas das veias mesentéricas, particularmente da mesentérica inferior. Nesses locais, a fêmea põe seus ovos.
Os ovos chegam a luz intestinal e são liberados com as fezes. Aqueles que chegam em tempo útil a algum local com água doce, eclodem e liberam o miracídio, os quais nadam em círculos até encontrar um molusco do gênero  Biomphalaria.
Os miracídios geram esporocistos e depois cercárias.
As cercárias são liberadas na água e penetram ativamente a pele do hospedeiro. 
Depois da penetração, as cercárias perdem a cauda e se transformam em esquistossômulos. Estes ganham a circulação e vão ao coração, em seguida, ao pulmão e depois ao fígado. 
No sistema porta intra-hepático, os esquistossômulos se alimentam de sangue até atingirem a fase adulta. 
Os vermes adultos acasalam-se e migram para a parede das vênulas do intestino.

Imagem 4. Ciclo de vida do Schistosoma mansoni



Referências:

NEVES, David Pereira et al. Parasitologia humana. 11. ed. São Paulo: Atheneu, 2004.
REY, Luis. Parasitologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008

Link das imagens:


http://www.ufjf.br/labproteinas/material-de-apoio/esquistossomose/ciclo-biologico/
25 de jul. de 2016
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Introdução ao Blog!




Olá! Sejam bem vindos!



Este Blog foi elaborado com o intuito de auxiliar os estudantes da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) do segundo semestre do curso de medicina com o estudo de parasitologia. 

Como referência base foi utilizado o livro “Parasitologia”, Luis Rey e “Parasitologia humana”, David Pereira Neves. 

Além disso, foram dispostas fotos das lâminas do laboratório morfofuncional para melhor entender a descrição morfológica desses helmintos e protozoários. 

Quaisquer dúvidas sintam-se a vontade para enviá-las para o nosso e-mail: parasitologialmf@gmail.com .
23 de jul. de 2016
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Abordagem da criança com anemia falciforme e fibrose cística

Abordagem da criança com anemia falciforme e fibrose cística. Aborda duas patologias rastreadas por meio da triagem neonatal ou teste do pezinho: a anemia falciforme e a fibrose cística. E objetiva identificar os casos que envolvem crianças diagnosticadas com estas doenças para compreender como avaliar e manejar estas situações. Unidade 6 “Abordagem da criança com anemia falciforme e fibrose cística”, do módulo 8 “Situações clínicas comuns materno-infantis” do Programa Multicêntrico de Qualificação em Atenção Domiciliar a Distância. Palavras-chave DeCS Atenção à Saúde; Anemia Falciforme; Fibrose Cística; URI https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/1787 DOWNLOAD https://ares.unasus.gov.br/acervo/bitstream/handle/ARES/1787/UNIDADE_06.pdf?sequence=5&isAllowed=y
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Acervo de Recursos Educacionais em Saúde - ARES

O Acervo de Recursos Educacionais em Saúde - ARES disponibiliza recursos educacionais desenvolvidos para o ensino-aprendizagem de trabalhadores da saúde. Aqui você encontra vídeos, textos, imagens, entre outros conteúdos, para atender às necessidades de formação e capacitação desses trabalhadores. https://ares.unasus.gov.br/acervo/profile
18 de ago. de 2015
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CFF CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA RESOLUÇÃO Nº 517

CFF CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. RESOLUÇÃO Nº 517 DE 26 DE NOVEMBRO DE 2009. Dispõe sobre a inscrição e carteira profissional do técnico de nível médio e assemelhados. Ementa: Dispõe sobre a inscrição e carteira profissional do técnico de nível médio e assemelhados, e dá outras providências. O Presidente do CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelas alíneas “g” e “m” do artigo 6º da Lei nº 3.820/60;
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Equipamentos de Laboratório Analíses Clínicas

Equipamentos de Laboratório Analíses Clínicas. Os equipamentos que serão comprados dependerá do nível do laboratório e dos trabalhos executados. Os elementos básicos que devem ter na área administrativa são fichários para pacientes, computadores, armários, estantes, gavetas, impressoras, cadeiras, móveis para recepcionar o paciente, etc.
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Curso técnico de analíses clínicas

Curso técnico de analíses clínicas. A habilitação profissional de Técnico em Análises Clínicas é uma área profissional de saúde que apresenta uma demanda crescente no que se refere à necessidade de profissionais habilitados, com conhecimentos científicos, tecnológicos, humanísticos e éticos necessários ao pleno exercício da cidadania.
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Linkedin Técnicas e Técnicos em Analíses Clínicas

Linkedin Técnicas e Técnicos em Analíses Clínicas. Conheça as pessoas formadas com perfil no Linkedin que são técnicas e técnicos em analíses clínicas.
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PRONATEC TÉCNICO EM ANÁLISES CLÍNICAS

PRONATEC TÉCNICO EM ANÁLISES CLÍNICAS. Auxilia e executa atividades padronizadas de laboratório - automatizadas ou técnicas clássicas - necessárias ao diagnóstico, nas áreas de parasitologia, microbiologia médica, imunologia, hematologia, bioquímica, biologia molecular e urinálise. Colabora, compondo equipes multidisciplinares, na investigação e implantação de novas tecnologias biomédicas relacionadas às análises clínicas. Opera e zela pelo bom funcionamento do aparato tecnológico de laboratório de saúde. Em sua atuação é requerida a supervisão profissional pertinente, bem como a observância à impossibilidade de divulgação direta de resultados.
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Profissionais da área de Análises Clínicas

Profissionais da área de Análises Clínicas. São técnicos de Analíses Clínicas, Biológos, Biomédicos, Bioquímicos, Farmaceuticos, Veterinários.
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Laboratórios de análises clínicas

Laboratórios de análises clínicas. Segundo dados do Conselho Federal de Farmácia, existem no Brasil 5525 laboratórios de análises clínicas sob propriedade de um farmacêutico. Mas o número de profissionais que trabalham nesta área é bem maior e de difícil contagem, pois existem 104.098 farmacêuticos registrados no CFF.
17 de ago. de 2015
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Curso Técnico em Análises Clínicas

Curso Técnico em Análises Clínicas. De acordo com o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, publicado pelo Ministério da Educação (MEC), o Curso Técnico em Análises Clínicas deve ter duração de 1200 horas e recomenda-se que a infraestrutura da escola que ministra esse curso tenha laboratórios de microbiologia, de bioquímica, de unidades de análises clínicas, de informática e uma biblioteca com livros específicos.
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15ª Conferência Nacional de Saúde Simpósio na Câmara Federal

Simpósio Nacional de Saúde. A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados e o Conselho Nacional de Saúde promovem o Simpósio Nacional de Saúde, com o tema: “Saúde: Direito de Todos, Dever do Estado”, nos dias 17 e 18 de junho, das 9h às 17h30, no auditório Nereu Ramos. Além de contribuir com o debate da 15ª Conferência Nacional de Saúde, já em andamento na fase municipal, o Simpósio irá avaliar os desafios, resultados, gestão e financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
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Boas condições de trabalho exigem saúde e segurança para o trabalhador

Boas condições de trabalho exigem saúde e segurança para o trabalhador. A saúde e a segurança dos trabalhadores em saúde têm sido tema frequente de debates e estudos nos últimos anos, mais especificamente a partir de 2006. Naquele ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu os trabalhadores do setor como seu mais valioso recurso e dedicou o seu Dia Mundial, 7 de abril, com o tema Recursos humanos em saúde, nossos heróis de todos os dias. Ainda em 2006, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) conclamou governos e atores sociais dos países da região a priorizar o desenvolvimento desses recursos, iniciando a Década de Promoção dos Recursos Humanos em Saúde.
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Atribuições do Técnico de Laboratório de Análises Clínicas

Atribuições do Técnico de Laboratório de Análises Clínicas. Atua em laboratório de análises clínicas (urinálise, parasitologia, bioquímica, hematologia, microbiologia e sorologia). Auxilia e executa atividades padronizadas de laboratório.
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TÉCNICO EM ANÁLISES CLÍNICAS

TÉCNICO EM ANÁLISES CLÍNICAS. Auxilia e executa atividades padronizadas de laboratório - automatizadas ou técnicas clássicas - necessárias ao diagnóstico, nas áreas de parasitologia, microbiologia médica, imunologia, hematologia, bioquímica, biologia molecular e urinálise.
23 de jul. de 2015
A (in)segurança que temos e a que queremos

A (in)segurança que temos e a que queremos




          
           Segundo Maslow a segurança é uma necessidade primária sem a qual o homem não sobrevive. Daí porque a colocou na base da pirâmide de necessidades. Depreende-se disso que a insegurança provoca desequilíbrios de toda ordem na qualidade de vida do homem moderno, especialmente os residentes nos grandes centros urbanos, mas agora, e cada vez mais, também nas pequenas cidades, como é o caso de muitas da nossa região, e assim, quase metade dos brasileiros sentem-se inseguros nas cidades onde vivem.
            A preocupação com a criminalidade e sua ampliação vem ocupando hoje um lugar central nos discursos social e político. De modo geral, a preocupação com a criminalidade se desdobra no sentimento de medo e de insegurança frente ao crime, exigindo, assim, que a leitura deste fenômeno seja feita no quadro de uma problemática social e política mais ampla do que o da criminalidade propriamente dita, situando-a no campo da análise do sentimento de insegurança.
            Entretanto, cada um de nós já está “acostumado”, especialmente devido aos programas de TV e em especial ao sensacionalismo algumas vezes aplicado (por motivos que discutiremos oportunamente…) a ver e conviver com a grande criminalidade da sociedade, mas na maioria das vezes à distância, sempre tendo como referência de risco os grandes centros urbanos. Quando nos deparamos com a violência e a criminalidade na nossa vizinhança o sentimento é outro, a situação passa a ser real, como a que temos enfrentado nos recentes e contínuos assaltos a bancos de toda região e, agora, às agências dos Correios.
            No imaginário popular o sentimento de insegurança também é despertado ao localizar determinadas pessoas como possíveis infratores. Contribuindo, assim, para a multiplicação de regras de exclusão, distanciando e criminalizando parcelas da sociedade.
Enquanto não é atribuída importância real nas questões de ordem estrutural de nossa sociedade a vida moderna acaba tendo que se adaptar à atual realidade social. Sentir-se inseguro, temer perder seu bem ou sua vida, ou ainda, não conseguir vislumbrar alternativas a segurança pública, passa a ser o normal de uma cidade que não almejar por mudanças reais e políticas públicas eficazes, e neste meio tempo, infratores não julgados vão sendo amarrados a postes pelo país afora e é feita justiça com as próprias mãos.
4 de jan. de 2014
Relação parasito-hospedeiro de helmintos do sistema digestório

Relação parasito-hospedeiro de helmintos do sistema digestório

                                               Fonte
 Introdução

            Qualquer livro de História das Ciências chama a atenção para a influência das idéias de cada época e da cultura sobre a forma de pensar dos cientistas e dos médicos. Sendo talvez o estudo das relações parasito-hospedeiro o que mais comprove esta observação.
            A coabitação entre vários seres, regra fundamental da natureza, nem sempre é pacífica, podendo resultar em vários tipos de doenças. Nesse contexto, os parasitos são tradicionalmente considerados como grandes agressores dos quais os hospedeiros têm de se defender.

            O conceito de “parasitismo”, segundo Rey, define-se como “relação ecológica desenvolvida entre indivíduos de espécies diferentes, em que se estabeleça associação íntima e duradoura e certo grau de dependência metabólica entre os parceiros. Geralmente o hospedeiro proporciona ao parasito todos, ou quase todos, os nutrientes e as condições fisiológicas requeridas por este”.

Tipos de associações
            Hoje sabe-se que as relações entre os seres vivos não são estáticas, mas dinâmicas no tempo e no espaço, vivendo os organismos obrigatoriamente em relações simbióticas, onde simbiose significa simplesmente, segundo Bush et al. (2001), “organismos vivendo juntos”, e engloba um conjunto de associações duradouras entre seres vivos, que podem ser benéficas para ambos ou somente para um dos organismos envolvidos. Chama-se mutualismoa associação benéfica para ambos os parceiros. Comensalismo, aquela em que somente um dos parceiros obtém benefícios, sem que o outro seja propriamente prejudicado. Forésia, quando na associação entre dois organismos um deles busca apenas abrigo e/ou transporte e, finalmente, o parasitismo, que significa literalmente “alimentar-se ao lado de”, refere-se à associação em que um dos parceiros, o parasito, em gral de pequeno porte, obtém benefício em detrimento do outro, de maior porte, o hospedeiro.
            Uma simbiose pode começar como um parasitismo e evoluir para uma associação mutualística, tornando-se tão obrigatória que as unidades originais passam a atuar como um único organismo. Fato que é classicamente exemplificado pela transição do parasitismo mitocondrial para o estado de organela.

            Entretanto, para haver associação entre duas espécies e ocorrer processo evolutivo, três condições básicas são necessárias: a) pré-adaptação de uma espécie à outra; b) coincidência de fatores ecológicos, fisiológicos e comportamentais; c) coacomodação, ou seja, os parceiros devem ser bem sucedidos após o início da associação.

Ações do parasito sobre o hospedeiro
             O conhecimento das ações do parasito sobre o hospedeiro é de grande relevância, pois através delas é que se dão a doença. Os principais tipos de ações dos parasitos são:
● mecânica; ● espoliativa; ● traumática; ● tóxica; ● imunogênica; ● irritativa; ● inflamatória; ● enzimática e ● anóxia.


 Sistema digestório
            As características do sistema digestório modificam-se acentuadamente de um extremo ao outro das vias digestivas. Quanto a fauna parasitária do aparelho digestivo humano, esôfago e estômago não costumam albergar parasitos em sua luz, porém do duodeno ao reto, podem alojar-se muitas espécies de helmintos.

            No duodeno, sob ação da lípase pancreática, ocorre a eclosão de ovos de helmintos, ativação de oncosferas de tênias e estímulo de cisticercos de cestoides. O trânsito lento e as espessas secreções mucosas que revestem suas paredes oferecem um a ambiente propício a fixação de ancilostomídeos e de tênias.
            Ao longo do intestino delgado, além de Taenia solium e T. saginata, de Hymenolepis e Diphyllobothrium, podemos encontrar Ascaris e ancilstomídeos. A quantidade de produtos assimiláveis da digestão diminui a medida que nos afastamos do duodeno, devido a absorção da mucosa. Surgem então novas fontes nutritivas, devidas a intensa descamação celular das mucosas e ao aumento da flora bacteriana.

            O cólon e o ceco é um ambiente favorável não só para várias espécies de amebas, mas também para alguns helmintos, especialmente Enterobius vermicularis e Trichuris trichiura, os quais ingerem, além de resíduos alimentares, bactérias.
            Finalmente, muitos parasitos habitam os tecidos da mucosa e da submucosa, como as formas larvárias de Hymenolepis e os Stringyloides.

            Um passo mais adentro na escolha de seu habitat é representado pela localização dos trematódeos Schistosoma mansoni e S. japonicum, que vivem nas ramificações do sistema venoso porta.
            As imunoglobulinas da classe IgA, produzidas na parede intestinal, são encontradas na superfície da mucosa e representam, muitas vezes, a primeira linha de defesa imunológica contra helmintos intestinais.

            O fígado, como meio nutritivo, apresenta-se muito rico, em especial por drenar quase tudo que é absorvido pela parede intestinal e conduzido pela circulação porta. A bile também apresenta composição muito especial, devido a presença de vários produtos ricos em elementos importantes para os parasitos, assim como condições adequadas e atrativas. Assim, as vias biliares são muitas vezes invadidas por trematódeos, como a Fasciola hepatica, sendo o parênquima hepático o habitat preferencial do cisto hidático. Ainda, devido a suas funções como filtro fisiológico, parte dos ovos de S. masoni ou de S. japonicumtende a acumular-se nos seus ramos intra-hepáticos, causando lesões granulomatosas e fibrose periportal.

 Infecção humana

            A infecção humano por helmintos do sistema digestório depende do adequado contato do hospedeiro com os parasitos, sendo necessário que estes estejam sob as formas adequadas para desenvolvimento da infecção (fase de desenvolvimento) e que o contato seja pela via adequada.
            Importante também considerar a existência prévia de infecção helmíntica no hospedeiro, o que muitas vezes pode levar a uma resistência a novas infecções, assim como o estado geral do hospedeiro.


 Imunidade
            Embora os helmintos passem toda a vida expostos ao sistema imunológico, as helmintíases são frequentemente caracterizadas pela cronicidade. As estratégias dos helmintos para escape do sistema imune do hospedeiro são tantas, que chegam a utilizar moléculas e células deste ao seu favor.

            Esquistossômulos de Schistosoma sp., ao invadir a derme e migrar até os pulmões deixam de expressar a maioria dos antígenos parasitários e passam a apresentar moléculas do hospedeiro, sendo o tegumento destes um fator muito importante no sucesso das infecções, o qual é delimitado por duas unidades de membrana, estando a maioria dos antígenos parasitários ocultos na membrana interna.
            A maior capacidade imunogênica concentra-se nas formas invasoras, enquanto os helmintos adultos possuem pouco significado imunológico, sendo a presença destes vermes adultos compatível com a resistência adquirida contra os parasitos nas formas infectantes, uma vez que pequena parte dos anticorpos produzidos nas infecções helmínticas são funcionais, contribuindo para a proteção do hospedeiro ou para limitar o parasitismo. Eles atuam especialmente sobre as formas larvárias.  

            Helmintos trematódeos e nematóides induzem imunossupressão da resposta imunológica de hospedeiros mamíferos, o que pode conferir proteção, por exemplo, aos danos inflamatórios causados por Plasmodium falciparum em hospedeiros co-infectados por helmintos. Infecções helmínticas podem, ainda, suprimir respostas inflamatórias a alergenos e alotransplantes.

 Patologia

            Na extensa maioria dos casos, especialmente em parasitismos por poucos exemplares, as infecções são assintomáticas e quando presentes estão associadas diretamente ao número de parasitos e a fase da infecção, assumindo sintomatologia típica para casa fase de vida do parasito, embora os parasitismos intestinais pelos helmintos na fase adulta, de modo geral, apresentem sintomas comuns entre si.
            O parasitismo do sistema digestório por helmintos pode causar desde uma simples espoliação dos alimentos ingeridos pelo hospedeiro, alterações do fluxo intestinal com diarréia ou constipação, até obstruções intestinais (Ascaris), grande espoliação sanguínea (ancilostomídeos) e quadros toxêmicos (tênias), os quais podem resultar em grandes dados ao hospedeiro, especialmente crianças, levando a perdas no desenvolvimento físico e mental.


 Diagnóstico
            O principal método diagnóstico para as helmintíases do sistema digestório, utilizado para confirmação do diagnóstico ou suspeita clínica é através do exame parasitológico das fezes do hospedeiro e o método da fita gomada no caso de suspeita clínica de enterobíase. Métodos imunológicos vêm sendo desenvolvidos e auxiliando grandemente no diagnóstico de helmintíases, embora haja ainda muitas limitações.


 Tratamento

            O tratamento das helmintíases intestinais, de modo geral, é de baixa complexidade e efetivo com medicamentos preconizados pela OMS, especialmente no caso daqueles considerados geo-helmintíases. Entretanto, devido a fase migratória larval de muitos dos helmintos de importância em saúde pública, o recomendado é que se repita o tratamento após prazo específico de acordo com a helmintíase tratada e que se repita o exame diagnóstico como controle de cura.